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Ocasião 1: desformigar (2024)

A ocasião é uma oportunidade de diálogo, marcada temporalmente por uma disposição de abertura mútua. Ela permite uma propícia comunidade de ação, um gesto de interlocução produtivo que não visa, entretanto, a pressuposição de seus resultados. Em vez disso, o encontro despretensioso é conduzido, ora por um interesse investigativo da montagem, pela relação intuitiva com o espaço vazio de uma sala ou mesmo pela aproximação de uma conversa sobre inseguranças compartilhadas quanto ao processo criativo e as condições de apresentação de trabalhos em exposições. De vez em quando, questionar o rigor dos hábitos e regramentos que restringem nossas práticas, enquanto artistas, pode favorecer à oportunidades de genuína abertura coletiva para a composição de um comum. Ocasião 1: Desformigar é o momento para o compartilhamento de um processo experimental de montagem de trabalhos recentes de Ana Flávia Marú em diálogo com M. Clara Curti e Matheus Pires. A artista e arquiteta urbanista tem trabalhado com as formigas saúvas. A partir de aproximações especulativas, Marú tem insistido na escuta e no fazer com esses seres que há milhares de anos habitam esse, e talvez outros, mundos. O interesse da artista em fazer-com as saúvas se dá a partir do encontro com uma fotografia de 1937 do início da construção de Goiânia. Com o título “Máquina de matar formigas ‘Turbal’ e seu inventor Caran Zancul”, ela foi encontrada no acervo da Fundação Getúlio Vargas e serviu de disparador para a pesquisa desenvolvida em conjunto com o coletivo História Natural de Goyaz. Para Goiânia ser construída, foi necessário máquinas de matar formigas. Concomitantemente à realização da fotografia, o Ministério da Agricultura do Brasil lançava a Campanha Nacional contra as saúvas, uma verdadeira guerra contra as técnicas de manejo tradicionais, ao modo de vida “caipira” e contra as “pragas”, em nome da unificação nacional da agricultura. O que diriam as formigas? O exercício de construção e trocas para esta Ocasião foi realizado durante três semanas no Ateliê Asterisco, um espaço de produção e reflexão autogerido por artistas. As formigas que colaboram para o conjunto de trabalhos apresentados aqui, habitam a região do centro de Goiânia, no entorno de onde também mora Marú.


O espaço recebeu visitas entre os dias18/05 à 08/06

Local: Galeria Ambassador, rua 5, n 15, sala 7, Setor Central, Goiânia, Goiás.








Conjunto de trabalhos apresentados:

Nebulosa (2024) Peça sonora realizada a partir da montagem dos sons: Delia Derby / 1976 Out Of This World; Manuel Calurano / ants riaza [free sound]; Microfone de contato [captação própria]; Outros sons foram utilizados a partir da biblioteca disponivel na plataforma Free sound.


Dá de comer (2024) Desenhos em lápis de cor sobre papel oferecido as formigas. Projeção com máscara de recorte. Vídeo, cor, loop.


Presente (2024) Desenho em lápis de cor, datilografia sobre papel, terra de formigueiro, lâmpada e caixa em pinus.


Escuta #1 (2024) Terra de formigueiro, microfone, zepelim e dead cat. Video, cor, loop.


As formigas sonham longe (2023) Desenho feito em carvão, grafite s/ papel, escrita datilografada sobre papel posta sobre mesa digitalizadora. 21 x 29,7 cm (cada).


Elas se aproximavam, dançando em minha direção (2023/2024) Cianotipia realizada a partir fotolito de içá e saco de organza sobre papel. 29 x 42 (cada) / Políptico.


História pra formiga dormir (2022/2024) Estórias datilografadas em papel pautado, desenho em lápis-de-cor sobre papel, pintura com terra de formigueiro, monóculo com fotografias impressas e formiga saúva.


Grande Hotel Copan (2023) Caderno de estudo para vídeo: carimbo sobre papel pólen, datilografia s/ papel vegetal. 21 x 29,7 cm


Projeto Formigueiro (2023) Escrita datilografada em papel pautado. 21 x 29,7 cm


Arquivos: Livro “A sauva e seu combate” (1941) / Serviço de informação agrícola, Ministério da Agricultura, Rio de Janeiro, Brasil. / Acervo pessoal. Fotografia “Máquina de matar formigas ‘Turbal’ e seu inventor Caran Zancul”, Raymundo Moreira dos Santos, Goiânia, 1937. / Fonte: CPDOC da FGV.




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